Ir para o conteúdo principal

JSON Variables

Vale de Hinom — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Vale de Hinom

(Heb. gê hinnōm, “vale de Hinom”; também gê ben-hinnōm, “vale do filho de Hinom”)

O Vale de Hinom é uma garganta situada a oeste e ao sul da antiga Jerusalém, geralmente identificada com o atual Wadi er-Rababi. O topônimo aparece também nas formas “vale do filho de Hinom” e “vale dos filhos de Hinom”; essas construções favorecem a interpretação de Hinom como nome próprio, embora a identidade da pessoa assim denominada seja desconhecida. Nos textos de delimitação tribal, o vale integra a fronteira entre Judá e Benjamim (Js 15.8; 18.16) e, posteriormente, aparece relacionado à Porta do Vale e aos limites de Jerusalém (Ne 2.13, 15; 11.30). Entre as identificações historicamente propostas — Cedrom, Tiropeão e Wadi er-Rababi — esta última corresponde melhor aos dados topográficos preservados nas fontes bíblicas (Watson, 1992: 3.202–203).

A importância religiosa do vale deriva sobretudo de sua associação com Tofet e com práticas de culto condenadas pelos escritores bíblicos. Acaz e Manassés são relacionados ao sacrifício de filhos nessa região (2Cr 28.3; 33.6), enquanto 2Rs 23.10 atribui a Josias a profanação de Tofet para impedir que filhos e filhas fossem oferecidos a Moloque. Jeremias transforma o lugar em poderoso símbolo de julgamento: por causa do derramamento de sangue e dos sacrifícios realizados ali, o Vale de Ben-Hinom seria chamado “Vale da Matança” (Jr 7.31–32; 19.2–6; 32.35). Essa associação entre o espaço geográfico, o fogo cultual e a punição divina foi decisiva para sua história religiosa posterior (Watson, 1992: 3.202–203).

Do heb. gê hinnōm desenvolveu-se a forma aramaica correspondente e, daí, o grego geenna, origem de “Geena”. No judaísmo do período do Segundo Templo, o nome deixou progressivamente de designar apenas o vale histórico e passou a funcionar como imagem do julgamento escatológico dos ímpios. Esse desenvolvimento foi alimentado especialmente pelas profecias de Jeremias sobre cadáveres lançados no vale e por textos que associavam fogo inextinguível ao juízo divino (Jr 7.29–34; 19.6–9; Is 66.24). No NT, Geena já aparece empregada metaforicamente para o lugar ou estado de punição escatológica, sobretudo nos ditos de Jesus (Mt 5.22, 29–30; 10.28; Mc 9.43–47; Lc 12.5; Watson, 1992: 2.926–928).

Pro Blogger Templates
-->